20/09/2017

SIMEA 2017 antecipa projeções do Rota 2030

Com cases que podem ajudar a mobilidade das pessoas e contribuição inestimável para a sociedade, o SIMEA 2017, maior fórum de debates e discussões da engenharia brasileira, trouxe aos 850 participantes um total de três painéis, dois deles voltados à nova política industrial Rota 2030, palestras e 60 sessões técnicas dos mais variados temas.

Na abertura dos trabalhos da 25ª edição do SIMEA – Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, entre nos dias 12 e 13 de setembro, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, a cerimônia contou com a participação de Edson Orikassa, presidente da AEA, Luis Afonso Pasquotto, presidente do SIMEA e Presidente da Cummins Brasil, Henry Joseph Jr, vice-presidente da Anfavea, Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, Elcio Ferreira, diretor executivo da Abeifa, Marcelo Massarani, coordenador do SIMEA, e João Carlos S. Meirelles, secretário de Energia e Mineração do Estado de São Paulo.

Para Ioschpe, “o momento atual é de rupturas de diversas naturezas, com o compartilhamento, condução autônoma, eletrificação, arquitetura, infraestrutura, ou seja, ações suficientes para virar de cabeça para baixo o nosso setor e a necessidade de atualização”.

Na visão do secretário estadual Meirelles, “a trajetória da indústria automotiva brasileira é emocionante; nossa capacidade de produzir 5 milhões de veículos não é banal. No entanto, hoje o desafio é o modo como vamos nos transformar, conquistar metas para redução de carbono em eficiência e valor agregado para o automóvel”. Ainda de acordo com o secretário, o Estado de São Paulo, no ano passado, consumiu 60% de etanol contra 40% da gasolina; é notável a abertura de uma nova fronteira de consumo, não só vindo da cana, como também agora do milho. Os investimentos são crescentes”.

No Painel 1 “Novas Políticas Industriais para o Setor”, Pasquotto, também Conselheiro do Sindipeças, apresentou a visão da entidade sobre o novo regime automotivo. “Inovar-Auto entrou em vigor no passado baseado em barreiras tributárias e buscava simular o desenvolvimento de novas tecnologias, inovação, eficiência energética. Como resultado, tivemos a frota média de veículos leves 15,4% mais eficiente e muito aprendizado”, diz o presidente.

A busca da previsibilidade, assim como o crescimento da indústria no mercado com mundial com conhecimento, inovação e competitividade, além da adoção de metas de eficiência energética para veículos pesados e processo de eletrificação dos veículos sendo inexoráveis mesmo no Brasil foram ponderadas por Pasquotto.

O diretor de Novas Políticas Industriais da AEA, Gilmar Laigner, por sua vez, trouxe três macro-ações nas quais a indústria deve perseguir com o Rota 2030: revisão dos conceitos técnicos alinhados às práticas internacionais, trazendo maior clareza e aproximando a linguagem da legislação ao cotidiano dos profissionais técnicos da empresa; a busca pelas formas de incentivos mais atrativos para induzir os investimentos em P&D ao mínimo exigido e estruturação dos centro de desenvolvimento para habilitar a participação das empresas nas estratégias globais.

Para Luiz Miguel Batuira Falcão, coordenador geral das Indústrias do Complexo Naval, Petróleo e Gás e diretor substituto do Departamento das Indústrias para a Mobilidade e Logística, há desafios da nova política industrial que precisam ser tratados, como o envelhecimento de frota, a substituição da capacidade instalada, o alto endividamento da cadeia de fornecedores, o risco de fuga de capital e o desemprego. O Painel I foi encerrado após amplo debate com a participação do público presente e mediado por Alzira Rodrigues, editora do AutoIndústria.

O uso do biobutano foi uma das pautas da palestra “Inovação com Foco na Eficiência e Sustentabilidade – Caminhos Brasileiros”, ministrada por Marcio Alfonso, diretor de Engenharia, da CAOA Montadora de Veículos. Para ele, com o comprometimento do País no COP21 em reduzir as emissões em 36% até 2025 e 45% até 2030, esta é uma solução que oferece aumento da taxa e compressão para maior eficiência térmica, maior resistência a detonação, permitindo melhor rendimento térmico e menor consumo, além do aumento da estabilidade de combustão.

O diretor também levou ao público o tema eletrificação. “As baterias de íons de lítio vêm se popularizando. No entanto, mesmo com os benefícios da eletrificação dos veículos, se as fontes de geração de energia utilizadas em todo o ciclo produtivo não forem limpas, o impacto ambiental não será alcançado”, afirmou.

Painel 2 – Na manhã do segundo dia, 13/9, o painel 2 trouxe o tema “O Veículo das Próximas Gerações”, que teve início com a apresentação de Ricardo Abreu, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Mahle que informou que até 2040 a frota brasileira com motor a combustão representará ainda 75%. “Existe um campo grande de tecnologias a serem aplicadas e devem ser consideradas como inicio da nova política industrial. E para evoluirmos no que diz respeito a eletrificação, é preciso transformar em elétricos todas as necessidades de potencias auxiliares dentro de um automóvel”, informou Abreu.

Tendências claras dos rumos a serem trilhados pelo setor automotivo foram compartilhados por Henry Joseph Jr, vice-presidente da Anfavea, entre elas, a Indústria 4.0, veículos híbridos e elétricos, a conectividade e digitalização, além da direção autônoma.

Economicamente viável e desenvolvido no País, o uso do etanol e a necessidade de hibridização deste combustível foi defendido por Miguel Silva Ramalho da Fonseca, vice-presidente Executivo da Toyota. “Com a importância do hibrido nesta escala da eletrificação, se faz necessário maior ênfase na privatização da matriz energética”. O Painel 2 foi encerrado após debate mediado pelo diretor da agência de notícias Autoinforme, Joel Leite.

Na sequência, Luciano Driemeier, gerente de Estratégia de Produto da Ford, ministrou a palestra “O futuro da mobilidade Urbana”. Em ambos os dias do evento, o SIMEA 2017 apresentou duas palestras patrocinadas: da AVL, sobre “Trends in particle reduction and measurement”, e da Simens com o tema “O papel de testes e simulações para engenharia no contexto da Indústria 4.0”.

Reconhecimento – Na sessão de encerramento do SIMEA 2017, o vice-presidente da AEA, Sr. Marcos Clemente, e o coordenador do evento, Prof. Marcelo Massarani, conduziram a entrega de placas de reconhecimento aos melhores estudantes de Engenharia na 6ª edição do Prêmio AEA Destaque Novos Engenheiros, entregues a Cassia Josefa de Andrade (Universidade Presbiteriana Mackenzie), Eduardo Moraes Coraça (Unicamp), Guilherme Justino da Silva (Universidade Federal de São Carlos), Gustavo Rocha Sanchez (Instituo Mauá de Tecnologia), Heitor de Oliveira Guimarães (Poli/USP), Leonardo de Oliveira Ferreira (Unip), e Stephan Daue Guimarães Müller (Centro Universitário FEI).